As Comunidades Eclesiais de Base (CEB)
são comunidades inclusivistas ligadas principalmente à Igreja
Católica que, incentivadas pelo Concílio Vaticano II (1962-1965) e pela Teologia da Libertação,[carece de fontes]
se espalharam principalmente nos anos 1970
e 80 no Brasil e na América Latina. Consistem em comunidades
reunidas geralmente em função da proximidade territorial e de carências e
misérias em comum, compostas principalmente por membros insatisfeitos das
classes populares e despossuídos, vinculadas a uma igreja ou a uma comunidade
com fortes vínculos, cujo objetivo é a leitura bíblica em articulação com a
vida, com a realidade politica e social em que vivem e com as misérias
cotidianas com que se deparam na matriz ordinária de suas vidas. Através da
hermenêutica do método ver-julgar-agir buscam olhar a realidade em que
vivem (VER), julgá-la com os olhos da fé (JULGAR) e encontrar caminhos de ação
impulsionados por este mesmo juízo prático ou teórico à luz da fé (AGIR). A
ação encontra respostas variadas segundo as circunstâncias que enquadram suas
realidades anímicas, transcendendo os limites das igrejas. Estas comunidades
impulsionaram a criação de clubes de mães, sindicato, associações de moradores, cooperativas agrícolas, no
movimento dos sem terra, e outras iniciativas que fortaleceram a
espiritualidade ou o movimento social. Durante a ditadura militar, apoiaram
a redemocratização do Brasil, porém com o declínio da Teologia da Libertação e
a ascensão da Renovação Carismática as Comunidades Eclesiais de Base vem
perdendo espaço dentro do movimento católico. 1
As CEBs são comunidades, uma reunião de
pessoas que vivem na mesma região, tem uma mentalidade unificante e possuem a
mesma fé. São eclesiais, porque estão unidas à Igreja ou a um grupo de
ação social. São de base porque são constituídas de pessoas das classes
populares e de menor cultura e se contrapõem aos que tem posses. Localizam-se
em geral na zona rural e na periferia das cidades. Organizam-se em torno das
paróquias, capelas, centros sociais ou associações comunitárias por iniciativa
de leigos,
padres
ou bispos.
Segundo Frei Betto,2
as CEBs são uma nova forma de organizar. Tradicionalmente, a Igreja Católica é
organizada em torno das paróquias. As CEBs permitem que a organização se dê através de
comunidades menores, onde os membros podem estabelecer laços comunitários entre
si. Assim, as paróquias evangelizadoras podem se tornar verdadeiras comunidades
paroquiais de vanguarda.
O formuladores das CEBs desde o princípio
advogaram para essas comunidades um protagonismo de primeira grandeza dentro da
Igreja. As CEBs seriam o "primeiro e fundamental núcleo eclesial, (...)
célula inicial da estrutura eclesial"3
, unidade estruturante da Igreja4
. Tal grandiloquência chegava a lembrar o espírito triunfalista tão criticado
na mentalidade pré-conciliar.[carece de fontes]
No entanto, essas formulações conceituais nunca passaram de um desideratum,
visto que o Catecismo da Igreja Católica, os Documentos pontifícios do Papa João Paulo II, o Código de Direito Canônico ou outros
documentos estruturantes da Santa Sé nunca incorporaram as CEBs, omissão essa que alguns
interpretam como uma restrição.
Deve-se ressaltar que as Comunidades Eclesiais
de Base não são homogêneas nem homogenizáveis, dada a diversidade social,
religiosa e geográfica e as formas distintas de compreender e viver sua
inserção crítica eclesial e sua participação na sociedade. Correspondem a uma
organização descentralizada, diferentes entre si, como resposta aos desafios
sociais e eclesiais concretos. Não possuem secretariado nacional, mas uma
"comissão ampliada" que faz a ponte entre os encontros nacionais
(Encontros Inter-eclesiais) entre as igrejas
particulares.5
Entretanto, segundo Bingemer,6
é possível detectar quatro traços distintivos de uma CEB:
- O primeiro traço é a territorialidade: são pessoas que se reúnem por proximidade geográfica. Esta proximidade está na origem da discussão e reivindicação por serviços básicos (Bolsa Família, água, saneamento).
- Círculos bíblicos: os grupos se reúnem para leitura e reflexão da Palavra de Deus e confrontá-la com a vida cotidiana. Muitas comunidades iniciaram a partir destes círculos bíblicos e passaram a organizar celebração dominical, com ou sem sacerdote.
- Participação e discussão dos problemas comunitários em conselhos ou assembleias, com ampla participação dos membros.
- A partir das necessidades das comunidades, foram surgindo diversos ministérios leigos ao longo da história das CEBs: ministros da Comunhão, ministros das pastorais específicas ou grupos de alfabetização de adultos, hortas comunitárias, clubes de mães.
A partir da reflexão sobre os problemas da
família, do trabalho e do bairro, as CEBs ajudaram a criar movimentos sociais
para organizar sua luta: associações de moradores, organizações sindicais, luta
pela terra e também o fortalecimento do movimento operário.
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